Arquivo para ‘CRAFT’

Janeiro 3, 2012

do Novo Ano…

A noite de fim de ano foi passada em casa. Na cozinha.

Sacrificaram-se lagostas. Grandes e agressivas apesar de mortas. Nas pontas dos meus dedos ficaram marcados em memória, os piquinhos de cada uma. Morreram com dignidade.

Nesta casa faz-se extensiva pesquisa antes de preparar um prato. Aquando da confecção, todas as receitas são devidamente ignoradas.

Da cozinha gostamos dos odores que se vão libertando, do som da faca a tocar ritmicamente a madeira, dos minutos de pausa em frente à ventoinha, dos cães muito silenciosamente sentados seguindo cada movimento, da música lá ao fundo, dos foguetes dos vizinhos, das tekis quietas na parede e detestamos a louça por lavar. Ou melhor, detestamos lavá-la.

A miuda cá de casa experimentou champanhe pela primeira vez. Assim só um bocadinho. E lamentavelmente gostou. A miuda cá de casa ofereceu-se para terminar a bebida dos outros. Consta que a avó da miuda costumava em pequena, às escondidas, terminar o fundinho do copo dos convidados da casa.  Hoje em dia diz que o alcool lhe dá alergia… tecnicas para esconder um passado pouco católico!

Minutos após a meia noite, chove torrencialmente. Daquelas chuvas de gotas grossas e rápidas. E a nossa casa no cimo de Vila Verde foi como sempre das primeiras a senti-la. De volta à sala vindos do jardim inundado, ocorre-nos subitamente  que na televisão se transmite a festa organizada pelo Governo em frente ao Palácio e ligamos o aparelho na esperança de que a chuva ainda lá não tenha chegado. Esta esperança não foi motivada pela preocupação. Esta esperança foi motivada pelo desejo de termos a oportunidade de ver a chuva a chegar e as pessoas a correr a fugir, assim em directo na tv.

E Deus na sua imensa bondade, fez-nos esperar 3 a 4 minutos mas concedeu-nos essa Graça.

Dezembro 21, 2011

de fazer o Natal…

 

por muito que se sonhe com um Natal tropical, longe da chuva e do frio do Dezembro Europeu, a verdade é que vivê-lo entre a praia e o ar condicionado a 16 graus na sala, num esforço tremendo para baixar a temperatura, não é agradável.

As bolachas de gengibre sabem melhor com chá quente. Fazer biscoitos é um desprazer por causa do calor do forno. Decorar bolachas é uma impossibilidade porque tudo derreterá com  calor. Nas janelas da sala estão pateticamente penduradas as meias de Natal. Quentinhas, com bonecos de neve e temas de inverno. Chinesas. Ao lado as botas da tia Jana. Personalizadas. A um canto um pinheiro verde vivo de plastico. Chinês. Decorado com bolas todas elas muito vintage e muito plasticas. Chinesas. E curiosamente gera-se uma certa harmonia e a coisa resulta. E o Natal entra pela sala e agarramo-no a ele. Longe de tudo o que se tornou a nossa tradição. Longe das pessoas que o formam e lhe dão consistência.

E criamos assim uma atmosfera artificial a uma temperatura artificial e esforçamo-nos para que no meio da saudade e do vazio que a ausência de gente querida nos deixa, se crie um espaço que deixe memórias das que vale a pena recordar.

Tags:
Fevereiro 15, 2011

de alguma coisa para dizer…

Ponto Quinto das minhas regras do “I can craft and Blog”:

“Quinto: As bloggers de sucesso publicam livros ou participam neles e são entrevistadas em media variados. Hummm… Este é mais dificil! Só mesmo com publicações de autor ou se falar com o jornal cá da terra porque tenho um primo que tem um vizinho que tem um cunhado…”

Ok! Está feito!

A C&T Publishing, que é uma editora Americana da área dos Crafts, convidou-me a participar numa publicação colectiva só sobre Calendários do Advento.

Eu, como sou uma pessoa educada e pouco habituada a dizer que não, disse então que sim.

Nada contrariada e diria mesmo ligeiramente histérica.

Para efeitos estatisticos sou uma Portuguesa publicada no estrangeiro. O resto são detalhes.

É lógico que nunca lhes mandei as instruções porque me fui esquecendo e a mãe, muito à pressa, lá pôs os chinelitos do advento em correio expresso a partir de Portugal e mandou aquilo para a América tendo pago os selos!

Obrigada, mãe!

Portanto, não vos estou a incitar a comprar o livro, até porque ainda estamos em Fevereiro.

Longe de mim a ideia de vos fazer comprar uma coisa só porque eu estou lá e muito provavelmente sendo aquela que só tem fotos porque não mandou o texto…

Longe de mim amaldiçoar-vos por isso.

O importante é que retenham o seguinte: agora posso dizer em estrangeiro nas entrevistas de trabalho - oh yes,  I’m published! - rezando para que ninguém peça detalhes!

Abril 22, 2010

de experiências…

.

Abril 30, 2009

de lunch #8

Flan de cogumelos e boa companhia no VG

Abril 26, 2009

de liman korun, liman los…

À minha frente desfilam uma a uma jovens adolescentes que procuram trabalho.
Cabelos compridos. Uns mais do que outros. Presos em ganchos ou elásticos com rabos-de-cavalo longos que lhes descansam nas costas. Naturalmente brilhantes e bem cuidados, com um toque de hena ainda em planta aqui e ali. Umas mais estreitas de corpo, outras com pequeninas formas.
Uma nova geração com acesso a educação em universidades estrangeiras da região que pouco ou nada lhes ensinaram. Que regressam com esperança e que acabarão maioritariamente como interpretes.
Pela mão passam-me as cópias dos diplomas em letras pomposas, as fotos nos documentos com o casaco do fotografo e a obrigatória ausência de sorriso.
E enquanto falam eu analiso-lhes o rosto, os olhos, o nariz, as mãos que se mexem a acompanhar o discurso. Os gestos tão femininos naqueles corpos tão pequeninos.
E descubro numa um sorriso parecido ao da minha filha, e noutra os olhos, e noutra talvez o nariz e tento compor a imagem dela adolescente, assim sentada em frente a alguém que lhe definirá o futuro, cheia de esperança, cheia de sonhos.
E peço desculpa e fecho-me na casa de banho a chorar.
Convulsivamente.
Viro-me e constato que a sanita está entupida.
Um grande cócó desolado flutua castanho e resistente.
Bolas! Toda a gente vai pensar que fui eu!

Abril 22, 2009

Lunch #4

tofu, chap chai

Abril 15, 2009

de chegada…

as coisas sao mais ou menos iguais, os cantos mais ou menos os mesmos

restam poucas das antigas pessoas

recebo um email a dizer welcome home

e choro um bocadinho

acho que sim, que ‘e casa.

Abril 11, 2009

de ainda a caminho…

em Bali. Reencontro feliz com o nasi goreng.
mas falta-lhe qualquer coisa: uma piolha ao lado a apanhar com os dedos os graos que lhe descansam no colo…

Abril 10, 2009

de a caminho…

em Kuala Lumpur de pes inchados. maldita classe economica.
a estrategia de nos fazerem sair do aviao atravessando a 1a classe ‘e uma especie de lembrete da companhia aerea: olha onde poderias vir deitado se te tivesses esforcado um pouco mais na vida…

e a comida sabe toda a lemon grass. saudades do lemon grass…

Março 12, 2009

de promessas…

mike_monteiro_mistakes_500px_artworkimage-308(de Mike Monteiro)

Março 9, 2009

de…

eventos recentes comprovam que há uma linha muito muito ténue que nos separa do outro lado. e vamos andando andando e subitamente não sentimos nada debaixo dos pés e a linha foi atravessada. e os outros procuram-nos e já não nos vêm e ainda há tão pouco estávamos ali.

na despedida da mulher-mãe que partiu esta noite que passou, ficou-me na mente a frase da S. :” que tenhas uma linda viagem”, e gosto de imaginar a Zé, com quem nunca tive intimidade, mas que fazia parte dos meus dias e de todos os que partilharam anos em Dili, dona da barca, em grande estilo, loura, linda, senhora do seu nariz a pôr definitivamente em pratos limpos essa história do sexo dos anjos.

e se alguém me disser que ela voltou para contar, eu acharei perfeitamente natural. porque as pessoas estão vivas enquanto são lembradas e algo me faz concluir que esta Zé vai durar muitos muitos anos.

Descansa em paz.

Março 6, 2009

de manias…

começa-se com uma sensação de rubor. assim como se fossemos púdicas e alguém nos falasse em dívida pública. depois surge o incómodo. não se sabe de quê ou com quê. é um incómodo geral. depois chega uma comichãozinha. coisa leve e tentamo-nos a observar no espelho e descobrimos uma borbulhagem quase púrpura, mal distribuida e a coisa espalha-se. chega ás costas, ao peito, náuseas,  mas apesar de tudo adormece-se. depois  acorda-se a meio da noite, ou antes disso, mas convencionou-se que quando se acorda antes do amanhecer estamos a meio da noite, e não se respira devidamente.

tenta-se apanhar todo ar em grandes golfadas, mas não resulta. e a solução é ficar muito quieta, tão quieta que dê para enganar o corpo convencendo-o que não precisa de muito oxigénio… e com cada inspiração chega a memória da primeira vez; e revejo as cortinas brancas com bonecos pequeninos, a colcha amarela em quadrados de lã tecida, a posição da cama de ferro e o levantar-me a correr para abrir a janela e tentar respirar.

e lentamente a coisa acalma e volta-se a cair no sono, ainda muito quieta, enrolada na mesma posição. muito muito quieta. de manhã acorda-se já a respirar normalmente, mas o corpo, aborrecido com o truque fácil da imobilidade, vinga-se com um pescoço que se recusa a mover.

e anda-se assim, com o pescoço em posição de quem tem saudades do ontem.

e no dia seguinte a coisa repete-se.

e tudo, tudo por causa da maldita espetadinha com carne de porco…

Porco!

Fevereiro 27, 2009

de descoberta…

(foto a despropósito)

Pensamento do dia:

As calorias são pequenos animais que moram nos roupeiros e que durante a noite apertam a roupa das pessoas.

Fevereiro 19, 2009

de verborreia…

acho esta discussão sobre direitos dos casais homosexuais hilariante.

acho extraordinário que meia dúzia  se sintam no direito de definir como muitos mil podem organizar a sua vida emocional.

e não vou falar disso porque como habitualmente o Tio Verme resume tudo de forma brilhante.

Fevereiro 19, 2009

de e já está…

O random.org – um gerador aleatório de números, escolheu o número 11! E eu mostraria a prova se soubesse como é que se copia aquilo e se cola a imagem aqui.

Ainda tentei criar o widget e copiar o html mas o wordpress ficou com soluços….

Ana Morais!

Envia-me o teu endereço postal para carla arroba vendinha ponto net.

Eu confesso que gostei imenso disto e acho que tenho que repetir a experiência…

Fevereiro 4, 2009

de…

 

deixem-me dizer-vos, eu muito hip mum ando há quase um ano a cantarolar à menina “Maggie uh uh uh nan nan nan nan nan nan Maggie uh uh uh” assim tipo como quando se é miuda e se inventa o inglês. e ía-me esquecendo dia após dia de descobrir de quem raio era isto e de fazer o download ilegal ou algo no género de forma a aprender mais do que uma frase.

mas como nem nunca tinha visto o clip (sim eu sou dos anos 80), nem ouvido a musica completa, quando pensei em finalmente o fazer fui por tentativas – ora quem poderia ser? os BSS? não… a voz lembrava quem? o olavo bilac… poderá isto ser português? mas tem um toque assim de will.i.am. e lá fui escrevendo maggie e alternando com nomes e nunca lá cheguei.

ora hoje de manhã, de chávena de chá na mão e adoçante e porque sou muito cool, lá ligo a MTV e estavam uns meninos a cantar a Maggie, que afinal não é MAggie mas “beggin”. a coisa não começou muito mal, os meninos iniciam o clip a jogar Halo3, mas a coisa evolui e acaba com a miuda a beber leite de gatas com a língua… enquanto o Tshawe Baqwa grita:
Beggin, beggin you
Put your loving hand out, baby
Beggin, beggin you
Put your loving hand out darlin

um dia, ela vai crescer, e numa tarde de enfado liga a VH1 num program de Smells like 09 e sufoca de espanto ao concluir que a mãe lhe cantava isto em pequenina…

e assim se constroem memórias e destroem reputações…

Janeiro 7, 2009

de blog readability…

blog readability test

Movie Reviews

eu já desconfiava…

Janeiro 5, 2009

de quase de volta…

no rescaldo das gripes, pneumonias e cólicas renais. regressamos brevemente… se não aparecer qualquer outra coisa, claro…

Dezembro 23, 2008

de clouds in my coffee…

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 30 outros seguidores