Arquivo para ‘children wear’

Dezembro 1, 2008

de neve niege snow e instruções de utilização…

pois nevou por aqui!

a minha filha tropical, habituada ao sol de vários pontos da ásia, ao mar de vários pontos da ásia, porque a mãe só a passeia por lá, sobe a serra a repetir “eu não acredito, eu não acredito, nunca em toda toda toda a minha vida (uns loooooongos 6 anos) vi neve, isto é neve é neve…

e agora prestai atenção:

sim, se forem detentores de uma criança de 6 anos que anseie por fazer anjos na neve (parece que o ruca ensina os miudos estas coisas), vistam-na com várias camadas de camisolas; a interior fofinha com um dinossauro rex, a de gola alta rosa e macia, o camisolão em rosa semi contrastante e a inicial dela gigantesca à frente, não vá ela esquecer-se do próprio nome, e por cima de tudo isto o anoraque de tons muito selecção olimpica da europa de leste nos anos 80, mas muito eficiente dadas as sucessivas camadas que intercalam tecidos polares com muitos fechos e molas e coisas que se tiram e põem, oferecido pelo tio-avô e importado directamente dos EUA. Enfiem-na dentro de umas meias calças super quentes e com riscas coloridas em que pelo menos uma repita o tom da camisola. Por precaução calcem por cima umas meinhas pequeninas só para reforçar o pézinho (cuidado com a selecção da cor – sempre mas sempre num tom que se repita na meia calça – nesta caso optou-se pelo amarelo), dado que as botas da Crocs que lhe pretendem calçar, serão 100% impermeáveis mas muito muito frias. E agora atenção a este detalhe: nunca em momento algum vesti à vossa filha, aqueles jeans tipicos da benetton com ganga muito forte mas muito curtos na perna. A boa intenção da ganga forte e mais quente perde-se na totalidade quando combinada com os ditos crocs. Apesar do objectivo principal ser meramente estético – é importante que se vejam as riscas contrastantes no espaço entre a calça e a bota dando o toque Pipi – um pequeno detalhe ficou esquecido vindo mais tarde a ter consequências catastróficas; esta gente de palmo e meio (elas aos seis anos têm tendencia a ser assim do tipo mais rasteirinho), quando caminham ficam muito próximas do chão. Ao correrem, têm tendencia a aproveitar o espaço entre a perna da calça e a bota   – que não está coberta por umas quaisquer calças compridas  esteticamente incorrectas – enchendo a dita de neve. Esta neve por sua vez vai sendo calcada firmemente pelo pé permitindo que se vá criando um envelope de gelo em volta do pé da criança, fixando-o à bota e retirando-lhe qualquer sensibilidade.

frozen-feet

A criança terá tendência a queixar-se – o que na verdade é uma grande pieguice porque na realidade já não sente nada.

Mas se pretender ser piegas e estragá-la com mimos, dispa-a da cintura para baixo e torça a roupa, descalce a sua cunhada e calce-lhe as meias dela. Vá ao jeep da frente que estranhamente guarda um saco cama no porta bagagens, e embrulhe-a nele.

E pronto, definitivamente Crocs não serão uma boa opção, apesar da marca não fazer qualquer referência a neve nas indicações de utilização, o que para mim é uma falha gravissima…

À noite esta minha filha deitou-se e como uma velha repetia “eu nen acredito nem acredito em todo toda toda a minha vida nunca tinha visto neve. Nunca… e sabes, mamã, as meninas também podem ser piratas não é so serem princesas“. Escapa-me a lógica, mas a hipotermia provoca estranhos efeitos…

Nota: nenhuma marca patrocinou este post, mas estamos abertos a propostas.

Bonus photo: abaixo foto exemplificativa da melhor forma de sacudir neve do corpo de uma minorca.

sacudir

Fevereiro 25, 2008

CAFE PRESS

 

tenho um brinquedo novo!

Fevereiro 9, 2008

…e mais Monstras

na foto, 4 monstras. A maior é só mesmo minha!

feitas da mesma forma destas galinhas, nas mesmas tardes quentes mas com brisa de Ubud, com o mesmo chá pelo meio e a conversa em frases com verbos no infinitivo.

 

ficam aqui sossegadas à espera que alguém as leve para casa.

na barriga, escondida, não há meninos que se portaram mal, mas apenas um saco para o que der e vier, no mesmo espírito deste

Fevereiro 9, 2008

as tais monstras

já tinha prometido falar delas
acho-as tão tão feias que acabam por ser irresistiveis.
e como todas as mulheres, monstras ou não, também têm segredos.
mas estas abrem-se:
e olhem o que lá está dentro:
o saco é feito de pedaços de tecidos tradicionais javaneses
os vestidos das monstras têm pedaços de velhas sedas
e sabem para que são mesmo mesmo úteis?
não me ocorre nada de momento…
mas se as não tivesse feito acho que as teria mesmo de comprar!!!
2 disponiveis
Fevereiro 4, 2008

…pra lisboa

 

Há dias em que apetece fazer tudo à mão. Pegar em qualquer coisa, fio, pano, botões e construir um objecto sem que mais nada possa interferir.

Há dias em que o nosso desejo ou a frustração de não conseguir controlar o que nos rodeia, ou o que nos afecta, ou o que interfere com o nosso trajecto, nos leva a pegar em fio pano botões e construir um objecto onde controlamos todos os passos.

Sem máquinas de costura a desviarem-se para o lado que lhes apetece, sem bobines que não bobinam, sem agulhas que paralisam.

Não, tudo assim na ponta dos nossos dedos. A crescer, a ganhar cor, a ganhar forma ou desforma.

Mas a brotar como se fosse Primavera. E com joaninhas a trepar até chegarem lá ao cimo que não se sabe bem onde é, porque um cachecol é coisa mais ou menos redonda, mas que quando lá chegam abrem as asas e voam.

Voam.

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