Arquivo para Agosto, 2009

Agosto 19, 2009

de acontece…

há dias em que nada faz muito sentido. organiza-se um raciocínio e transformamo-lo em palavras mas as palavras não soam como as pensámos e a coisa que se diz é a coisa que se pensou mas soava muito melhor na nossa cabeça.

as palavras são coisa muito perigosa e com grande tendência para a traição. soltamo-las e quando damos conta elas causam um número infinito de encolheres de ombro, suspiros profundos e sensações de tédio infinito. e quando olhamos para elas mal as reconhecemos porque as tontas vestiram-se de outra forma.

a tecnologia de comunicação é também muito matreira. a pessoa na sua inocência vê-a como uma ferramenta de eliminação da distância. mas não é bem assim. os teclados são obra do demo. a pessoa digita e espera em frente ao monitor – qualquer que seja o seu tamanho – e concede uma janela temporal de não menos que 3 minutos à resposta. o blackberry anda por aí a arruinar coisas que no tempo dos serviços de snail mail teriam 80% de possibilidade de sobrevivência saudável.

as relações passaram a depender da qualidade de acesso e bom funcionamento dos meios tecnológicos. a medida da emoção é feita através da rapidez da resposta. isso do amor é uma questão de timing.

Agosto 17, 2009

de por vezes…

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Por vezes penso que gostaria de crescer e deixar de me sentir confusa. De saber exactamente o que quero. Ter um percurso definido, objectivos demarcados e acima de tudo certezas absolutas. Gostava de ser uma dessas chatas com certezas absolutas. Daquelas que começam frases com”eu sempre disse que…”

Mas é o não querer isto hoje e o sentir que não posso viver sem isso amanhã, é nessa incerteza nesse não saber, no querer não querendo, no tendo sem procurar, no procurar não encontrando e no estado de fragilidade que a constatação de tudo isso provoca, que reside a essência daquilo que sou.

E se por vezes penso que gostaria de crescer e deixar de me sentir confusa. De saber exactamente o que quero. Ter um percurso definido, objectivos demarcados e acima de tudo certezas absolutas, rapidamente chego à conclusão de que cresço com cada dúvida que enfrento, que me defino pelo rasto que vou deixando e que vivo com a certeza absoluta de tudo isto.

Agosto 7, 2009

de positivo…

mornings in the backyard

Quando se acorda pela manhã de coração engelhado, quando nem Good Charlotte ajuda, nem sumo de laranja da Susana, nem torrada de cereais, nem café da montanha, nem perfume de côco, coloque a pessoa os saltos mais altos, abra a pessoa a porta e a contraporta e caminhe, com a levura permitida por uns tacões de 15cm, em direcção ao jardim.

E que a pessoa olhe o chão e  sinta a cor. Um dedo de cada vez. Uma perna. um braço, cada poro.

E continue a pessoa para o carro  manobrando-o com cuidado espreitando atraves da cor e seguindo depois ao longo do mar já com velocidade.

E sorria a pessoa ao contemplar a chuva de petalas de jambo que vai deixando para trás; contaminando a rua, os carros que passam, deixando-as soltas no ar… e na manhã seguinte acorde-se de coração engomado, coloque-se os saltos do costume, abra-se a porta e a contraporta e caminhe-se, com a levura permitida pelo seu proprio 1,61 de altura, em direcção ao jardim. E que a pessoa olhe o chão e sinta a cor. E que se sente ali já de pés descalços, 30 segundos de pausa antes do dia começar, encoste-se o tronco ao tronco, feche-se os olhos e veja-se a cor por dentro.

E saiba-se que nada pode ser mais intimo do que isto, nada pode ser mais honesto do que isto; o prazer da cor que chega com a estação; sem data mas com época. Que murcha e se extingue ao fim de uns dias e que deixa pouco mais do que uma memória fotografica.

Agosto 4, 2009

de pois claro…

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No doplet em frente ao meu senta-se um casal idoso Japonês. Descalçam-se e sobem. Recostam-se um em frente ao outro. Ele pega-lhe na perna pequenina, apoia-lhe o pé no joelho e massaja-o lentamente. Ela fecha os olhos e ajeita-se na almofada.

A imitacao da Hermes agita-se sobre o peito; a respiração vai ficando mais lenta, mais pousada, e ela cada vez mais pequena na almofada. E ele continua a massajar-lhe as pernas. E da eficiência passa à devoção. E cada toque é um acto de amor. E o sentimento passa-lhe das mãos para a sala. Para toda a sala. E invade as narinas, mistura-se no sate e todos comem e cheiram o amor velho que emana da mãos dele.

E os copos passam a ser pousados com menos vigor, as vozes baixam, e um grupo de estranhos de todas as cores, sufoca com o sentimento celebrando-o com o silêncio.

Talvez o amor só valha a pena se for assim; quando se solta dos dedos e invade os espaços

Agosto 3, 2009

da memoria..

O photojojo é um sistema que funciona através do flickr seleccionando fotos e enviando-as bimensalmente um ano depois.

Tem também cápsulas do tempo onde se guardam mensagens que serão enviadas no período  pré definido.

Hoje recebi 3 fotos de há um ano atrás:

A minha filha oriental com o céu de fim do dia no jardim da avó.

mae lae

A sangria de champanhe e frutos silvestres típica das festas de aniversario do irmão mais novo.

sangria

Os pés sujos adormecidos de final de dia de brincadeira descalça.

pes

E passa-se o dedo sobre o monitor e contorna-se um pezinho de cada vez…

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