Arquivo para Outubro, 2008

Outubro 29, 2008

de de volta aos trapos…

novidades mais logo…

a ver vamos!

Outubro 25, 2008

de que pequeninos nós somos…

a mãe snobada, loura apenas em determinadas zonas capilares, de manicura Francesa e ar afectado fazia os trabalhos de casa da filha de 7 anos enquanto esperava o inicio da aula de ballet.

a criança ía dando a indicação das cores que queria na decoração da página e a mãe pintava.

a certa altura diz a criança:

- pinta o cabelo do menino de castanho.

- qual menino? este chinoca? – pergunta a mãe

- o que é um chinoca?

- é um chinês, é o que nós chamamos aos chineses. chinocas!

e monhés aos indianos, minha senhora?

e macacos aos pretos?

e porque fiquei eu calada?

Outubro 18, 2008

de Ikue Asazaki – Obokuri eeumi …

quando se procura Ikue Asazaki no Youtube, surgem uma série de intérpretes diferentes do obokuri eeumi que nos levam a uma série de outros temas que justificam na totalidade a razão porque os meus amigos japoneses fazem pão de ló igual ao da avó e percebem, melhor do que eu, o sentido do fado.

Outubro 16, 2008

de descendentes

 

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via Isabel que viou a Eva

Outubro 15, 2008

de que pena não termos vizinhos…

o problema logistico surgido na época de namoro felino anterior encontra-se, julgo eu, em fase de resolução:

- a menina iniciou hoje as aulas de piano e trouxe trabalhos para casa…

Outubro 14, 2008

de growing pains…

agora que está na escola, e que por lá ficará por mais 12 anos – até ser dada como crescida e eu cheia de orgulho a ir fotografar a cair de bêbeda num cortejo académico – agora, vive-se de coração nas mãos.

Ou melhor, eu vivo de coração nas mãos. Numa aflição tremenda tipica de quem faz isto pela primeira vez e quer equilibrar o deixar crescer e encontrar caminho, com o interferir porque a caminhada é sinuosa.

Hoje, cheguei brilhantemente, sozinha, por volta das 6 da manhã, à conclusão de que será preferivel ralhar à minha filha por andar a dar porrada nos outros, do que consolá-la por ter levado ela porrada. Porque agora já não são os empurrõezinhos do infantário. É murro e pontapé.

No caso dela, pontapé em grupo.

agora que está na escola, é muito pouco interessante observar a teia de solidariedade que surje já em rascunho entre os meninos, a temperamentalidade e fluidez das relações entre as meninas e a forma como este micro-cosmo representa tão precocemente um mundo para o qual – aos 6 anos de idade – eles ainda não se deveriam estar a preparar.

Outubro 6, 2008

de completa…

há muitos anos atrás em Londres, conheci o pequeno Henry – um cruzamento feliz entre Inglaterra e a China – com 3 anos de idade. Durante as duas semanas que estivemos juntos vimos repetidamente o “Snowman” em video, à noite antes de dormir. E ele agarrava-me com a mãozinha papuda e explicava-me, num Inglês muito melhor que o meu, que o boneco ía derreter e tentava tapar os olhos com a mão que lhe restava, sem nunca me largar. Apaixonei-me pelo filme e acima de tudo apaixonei-me pelas emoçoes que despertava num ser tão pequenino.

Meses mais tarde recebi no escritório, como prenda, o filme. Lembro-me que fiquei muito quieta com ele na mão, sem saber porquê.

E depois guardei-o. Durante anos. De vez em quando pegava-lhe e fazia fw até a cena do vôo. Fazia-me triste e desligava-a.

No primeiro Inverno da Gui, apresentei-lho. Quando o viu a segunda vez apertou-me a mão e disse-me aflita que o boneco ía derreter e tentou tapar os olhos com a mão que lhe restava.

E fomo-lo vendo repetidamente até o cenário de neve deixar de fazer sentido e a versão improvisada em DVD ter desaparecido.

Hoje reencontrei a parte do vôo no Youtube.

Mostrei-lha. Fê-la sentir-se triste e tive que desligar.

Há dias em que sinto que não me falta nada…

Outubro 5, 2008

de ausência…

um dia, já depois das pessoas terem fugido da cidade e se concentrado em zonas que supostamente lhes ofereciam segurança, um dia ao regressar de Dili para Baucau com uma cassete nova a tocar no carro, comprada à pressa na rua na esperança de não vir a adormecer ao volante, assim um dia com o M ao lado que acredita no Deus Católico Apostólico Romano e fez disso profissão, um dia ao passarmos em Metinaro num final de tarde, com as pessoas a regressarem da cidade, com as janelas fechadas por segurança – seguindo o protocolo - num andamento lento muito lento, com olhos a seguirem-nos e a voltarem-se depois com uma indiferença ausente, com crianças sem uniforme da escola e tendas e tendas de roupa em 2ª mão, ouve-se uma voz no carro, e violinos e violoncelos. e a voz eleva-se e apaga os sons de lá de fora. e em câmara lenta, muito lenta, ouve-se inesperadamente o “Panis Angelicus”. E a voz diz-nos Panis angelicus, fit panis hominum; dat panis coelius figuris terminum O res mirabilis. E tudo era calmo, e triste e doce. E a voz eleva-se levemente enquanto passamos nas tendas com molhos de mostarda e flores de bananeira e a voz diz “manducat Dominium Pauper, Pauper, Servus et humilis, Pauper, Pauper Servus et humilis”, e ao fundo, lá ao fundo onde a estrada encontra o céu, tudo se torna vermelho e azul e rosa e sente-se Deus ali ao lado quieto, imóvel, limitado à contemplação. E as pessoas continuam a desfilar ao lado do carro, já cinzentas, ainda lentas –  Pauper, Pauper Servus et humilis  – e vão ficando para trás até se apagarem, cobertas pela noite. E Deus retira-se, sem a mesma subtileza com que entrou naquele carro.

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