Arquivo para Julho, 2008

Julho 31, 2008

de macaca…

 

nunca me tinha apercebido de que a macaca é assim uma coisa muito parecida com a vida.

ha umas pedras no caminho, tenta-se passar-lhes por cima, de preferência sem pisar o risco.

e ao baixarmo-nos para as apanhar, o segredo é tentar manter o equilibrio…

 

Julho 20, 2008

Brandi Carlile – The Story

imaginava a miúda assim de meia idade, de cigarro numa mão e copo na outra.
imaginava a letra melhorzinha e agora que lhe prestei atenção é uma baboseira comum de atravessar montanhas e rios por ti por ti porque fui feita para ti.
maas com uma interpretação destas e um figado aparentemente em condições, perdoa-se-lhe.
saudades do marquês da sé em finais de 80…

Julho 15, 2008

de aniversário…

hoje faço anos.

muitos.

gostei deles todos.

já recebi prendas.

gostei delas todas.

e desta também!

Julho 13, 2008

de não há nada como a nossa casinha…

Frei João Rabão, hamster de dente afiado nascido numa gaiola humilde de uma loja de animais na província, transitou para este lar numa gaiola de viagem com a promessa tipicamente Portuguesa de que seria temporária.

Algum tempo passado e sem alteração a nível logístico, o pobre constrói um ninho fabuloso constituído essencialmente por restos de batting da Retrosaria da Rosa, dentro de um cubo com entradas por vários lados, que se não estou em erro teria sido um brinde numa pizzaria qualquer e que em principio serviria como suporte para lápis.

 

Os dias eram passados no seu interior em repouso completo sem contacto com o exterior.

Gente bem intencionada, resolve oferecer à criança proprietária do bicho, não uma simples nova gaiola, mas sim uma senhora gaiola com tubos que saem por todo o lado, imensas cores, uma espécie de biberão para a água e mais muito mais importante que isso, em anexo, uma torre de 3 pisos com ameias!

 

Frei João Rabão, o hamster de dente afiado nascido numa gaiola humilde de uma loja de animais na província, foi transferido para as novas instalações com pompa e circunstância. E como havia castelo ele foi coroado rei e passou a ser chamado de Rei Frei João Rabão.

E 6 ou 7 adultos de áreas diversas e semi-complementares (engenharia civil, informática, geografia, física, enfermagem, matemática e sociologia) dedicaram um período significativo da sua tarde de sábado a lançar palpites diversos sobre as alterações a fazer à estrutura de tubos e percursos.

E mais ou menos em silêncio incitava-se o recentemente coroado rei a passar de uma encruzilhada para a outra, a explorar uma subida e uma descida, assim como se a média de idades não fosse muito superior à da proprietária…

 

E chegou a noite, e todos se recolhem mas por volta das 4 da manhã eu levanto-me e verifico que o Rei tinha chegado ao terceiro piso da torre onde o aguardava uma reserva extra de batting. E fui dormir descansada e feliz por ver um pobre a subir na vida assim, sem grande esforço.

De manhã quando acordamos, damos com o Rei de costas voltadas. E a proprietária ao tocar-lhe sente-o frio.

Morreu.

Julho 7, 2008

de velhas e pássaros…

 

diz que é uma velhinha, tem um gato, faz sopa (mas que não a come), e tudo tudo em redor é dela!

que passa os dias ali sentada e que de vez em quando levanta os braços e agita-os para afastar os pássaros.

estes pássaros não falam.

mas são incomódicos!

 

Julho 3, 2008

de sono…

 

Acordei ás 6.30 da manhã de supetão.

A parte superior do corpo ergueu-se sem eu ter noção de ter usado ou não as mãos como apoio.

Virei a cabeça para o lado esquerdo e vi a luz do dia e senti o ar fresco da madrugada em forma de brisa a agitar suavemente as folhas da cerejeira.

Inspirei.

Vi a teia de aranha que se formou durante a noite.

Expirei.

Virei novamente a cabeça e olhei para a parede branca em frente e subitamente, assim como se fosse um clique, assim como se estivesse na água prestes a afogar-me e a vida me passasse pela frente em meras fracções de segundo como nos filmes não-europeus, assim subitamente, consegui identificar todas as más decisões que tomei na vida, o porque foram más, o quando começaram a ser más, o porque se tornaram más. E dava a sensação que as seguia com o dedo como se fizesse a decomposição de uma frase em árvore, a esquematização de um projecto, como se seguisse um mapa de estrada com todas as pequenas aldeias e lugarejos identificados.

E sucederam-se os rostos, as paisagens, as reuniões, as paixões. E em cada uma das situações que visionava eu podia com o indicador precisar com exactidão em que momento se deu a mudança. Como se fosse uma complexa rede rodoviária e o dedo apontasse todas as intersecções.

E aquele momento de clareza trouxe-me uma paz e uma angústia e um sossego agitado. E a sensação de finalmente ter percebido o meu trajecto, o porquê do meu trajecto, o sentido de cada angústia, o papel de cada pessoa que se cruzou comigo, ou a ausência dele. E vi os rostos daqueles em quem não vou investir mais, e vi os rostos daqueles por quem perdi o respeito, e vi os rostos daqueles a quem me cansei de perdoar e tentar entender e senti-me especialmente forte. Pela primeira vez senti-me imbatível.

Não imbatível de uma forma arrogante, mas imbatível porque consciente do que sou, do caminho que fui traçando entre o desejo, o plano e o acaso, dos meus grandes fracassos, dos meus pequenos sucessos, fui sempre eu toda e inteira, sofrendo com a mesma intensidade com que vivi a alegria, com a mesma sofreguidão com que como um prato de pene e salmão fumado com molho de vodca.

E adormeci novamente.

E o segundo despertar foi igual ao dos outros dias.

Julho 1, 2008

do zoo…

Julho 1, 2008

do ballet…

foi o D.Quixote e ela uma espanhola.

perdida ás cores no meio das outras, passinhos memorizados

e depois quando o grupinho dela sai do palco, o tédio até se chegar ao fim.

porque eu só lá vou para ver a minha menina. sou uma mãe do tipo anal.

e num teatro apinhado de gente, sem qualquer circulação de ar, num município onde se contratam escolas de samba com meninas em fio dental, à chuva em Fevereiro, para animar desfiles de carnaval de crianças e Quim Barreiros para encerrar as festividades anuais, ninguém acha importante manter a única sala de espectáculos em pleno Verão, com uma ligeira brisa… assim muito ligeira que fosse. uma brisa…

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