Arquivo para Junho, 2008

Junho 25, 2008

de Alfama é liiiinda!

(na foto – o fantástico grelhador singer dos Staats!)

quando eu morava em Alfama numa casa fantástica junto à Igreja de Santo Estevão, daquelas em que baixamos a cabeça para passar da cozinha à sala, com fogão de lenha em ferro do seculo XVIII, com escadinhas estreitas de madeira para subir ao primeiro andar, com banquinhos de pedra nas janelas, e janelinhas pequenas nas portas.

quando eu morava em Alfama e secava a roupa no estendal à janela, quando era fotografada por 15 japoneses de cada vez que pendurava as cuecas, quando me afastavam a cortina da sala do rés do chão para me espreitarem a casa – “oh sorry”! – enquanto comia os cereais com o sol de Maio a bater-me nas pernas, quando abria a porta e deixava o cão sair para passear e a vizinha me fazia o relatório – “A sua Maria, andava ali com um cão vadio” -assim como se ela fosse menina e lhe tivesse que velar pela reputação.

quando caminhava a pé para o escritório, ali junto ao castelo, quando descia à baixa no 28 cheio de turistas e alunos de circo e advogados a querer ser juizes, quando corria ao celeiro comprar o almoço pronto e subia a pé sem me cansar.

nessa altura, fatalmente nessa altura, quando as ruas vestiam manjericos de papel e os meninos faziam os altares de cartão. quando os vizinhos compravam a sardinha e começavam a cortar a fruta para a sangria, quando finalmente estava pronta para viver os santos da parte de dentro, todos os anos, fatalmente, uma reunião era marcada em Londres e eu passava a semana fora…

e quando regressava, as ruas tinham o cheiro pestilento da festa que acabou, os papelotes presos só por uma ponta, os altares teimosamente no mesmo sítio e só uma coisa alegrava os dias: a puta da discussão sobre a puta da marcha – onde diga-se só tinham marchado putas – e a filha da putisse de terem ganho nesse ano!

 

Junho 23, 2008

da provincia…

Enquanto esperávamos que a fila para as farturas, churros e ademais diminuísse, reparamos num magote na parte de trás do palco onde a artista actuou. E subitamente animação. Com a Gui e a amiga pela mão vamos lá espreitar. Era a artista!

As miúdas querem ver. Nunca a ouviram cantar, não sabem quem seja, mas é artista!!! E sendo elas próprias duas pirosas bailarinas apaixonadas por tutus e palcos, não se pode dizer não!

 

Rapidamente chegamos á artista, e eu sem saber o protocolo pergunto-lhe se dá para tirar uma foto com as miúdas e ela muito sorridente, muito discreta, com uma voz baixinha, toda ela também pequenina, diz que sim, e como havia o problema das alturas, afasta a grade de segurança vem cá para este lado onde estávamos nós, as provincianas, e abraça as meninas e click!

E eu confesso que fiquei surpreendida com a ternura, com a falta de pose, a naturalidade e decidi que posso não ouvir a musica, ou visitar o site, mas a partir de hoje defendo com unhas e dentes a Ana Malhoa! 

 E como era já tarde, mesmo muito muito tarde arrastamo-nos para um banco de jardim onde já estava sentada uma senhora mais muito mais gorda do que eu. Todos à espera da respectiva boleia (que eu sou uma cidadã sem carta de condução válida em Portugal).

 

A senhora mais muito mais gorda do que eu pergunta-me se vi o rapaz das pipocas, se ele já fechou a banca? Eu digo que não sei mas talvez não porque a feira está ainda muito cheia. Que ele ficou de ir ter com ela, que lhe disse que fechava à uma e meia e que iria ter com ela.

E acrescenta a senhora mais muito mais gorda do que eu subitamente muito agitada e a fazer uns movimentos estranhos com a cabeça e uma das pernas, que já passa  da hora e ela certo tem que se ir porque tem que ir tomar a medicação e subitamente um ruído enorme de vozes de um grupo que se aproxima. “Eh Zé, Eh Pedro!” grita ela. Vira-se para mim e informa-me: “São os meus colegas da instituição…”

Junho 21, 2008

da menina…

 

 

que se formou…

penso que a partir de amanhã iniciaremos a elaboração do curriculum e seu respectivo envio.

temos boas hipóteses na indústria do calçado.

 

fingers crossed!

Junho 20, 2008

#15

Ele acha que os amigos deixam marcas que levamos para toda a parte…

Mas mesmo assim há dias em que sente frio…

 

Agora disponíveis aqui!

Junho 20, 2008

de Bongo!

Junho 19, 2008

de Junho #14

pensamos que seja menina, pensamos que seja varina, pensamos que conheça o alfacinha e seja a razão do fado gago…

 

Junho 18, 2008

de #13 – o alfacinha

 

os rumores são variados.

dizem que é verde de ser lisboeta, que levou à letra o ser alfacinha e entre a navalha e a varina e um fado gago à sergio godinho, acordou assim um dia, tatuado de folhas de alface e nunca mais voltou a ser o mesmo…

Junho 18, 2008

de susto….

 

confesso que andava aflita.

assustada.

mal dormida

com receio que fosse desta; que fosse este ano que me calhava a mim ser condecorada no 10 de Junho…

que alguém lá em Belém esticasse um dedo incriminatório e apontasse o meu nome numa lista e bradasse: Esta, esta! Esta prestou serviços à Nação!

Ufa!

Junho 14, 2008

de Frei João Rabão

 

 

Junho 12, 2008

da tristeza

(chiloé – foto de Tiago Gava)

A V. mencionou Pablo Neruda e eu lembrei-me da cassete pirosa que comprei no chile com a voz dele a declamar poemas. nunca a ouvi. sempre que alguém declama sinto um certo constrangimento. acho os olhos fechados as mãos estendidas o fingimento do sentimento uma coisa muito embaraçosa para quem o faz. e fico numa aflição por a pessoa estar naquela figura. nada me angustia mais do que a maria barroso a declamar. o arrastar das palavras o acento forçado de certas tónicas. dá-me uma alfição tremenda. a senhora nem precisa daquilo para viver.

acho que a poesia tem que ser lida com a nossa própria voz e para dentro.

tenho um amigo, daqueles do tempo de escola, daqueles que partilharam a análise das divisões silábicas dos versos e a tortura dos cantos, que quando conversamos, invariavelmente a cada 5 minutos, sai-nos uma referência qualquer a Pessoa para ilustrar o que dizemos.

e eu por vezes penso que não é o Pessoa que sabe muito sobre o que sentimos, que escolheu as palavras que não conseguimos encontrar. é menos do que isso, somos nós a lembrarmo-nos que ambos ambos sabemos de onde viemos e que para nos entendermos, assim como só nós dois o fazemos sem artificios, precisamos de voltar lá e trazer o que fomos para o presente através das palavras do poeta.

e assim para nós, a poesia torna-se a preguiça da expressão.

 

de Neruda diziam-me os miudos em chiloé, que morreu de tristeza. que não estava doente, mas ficou triste triste triste com o chile da ditadura sem palavras livres e a tristeza foi apagando cada um dos seus orgãos até lhe tirar o sopro.

e sentada na praça em Castro a olhar a igreja pintada de salmão e lilás, tudo isso me pareceu perfeitamente lógico e credivel.

Junho 12, 2008

de terminado

 

terminei já faz dias o livro da Soule Mama.

que posso dizer?

gostei.

o livro é muito simples. simples no sentido em que lhe foi retirada toda a pomposidade e percebe-se que é uma partilha de experiências com um tom de “isto resultou comigo se quiseres podes experimentar”.

os projectos são também eles simples, a maioria já conhecidos do blog, mas acima de tudo o livro é acerca de uma filosofia de familia de onde transparece uma grande calma e equilibrio, onde se dá tempo e espaço ás crianças para explorar os sentidos através de uma serie de actividades e ciclos.

é lógico que surge um sentimento de frustração quando se não tem a vantagem de viver num local tão rico como o da autora; praia, campo, floresta… mas apesar disso ela dá dicas para se resolver a questão!

 

 

Junho 6, 2008

de drama

poderá não vos parecer dramático mas a mim aflige-me;

hoje acordei com a plena noção de que não sou capaz de listar 5 poetas vivos…

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