Arquivo para Abril, 2008

Abril 25, 2008

de quase abril…

 

João Paulo Dinis aos microfones dos Emissores Associados de Lisboa:
«Faltam cinco minutos para as vinte e três horas. Convosco, Paulo de Carvalho com o Eurofestival 74, E Depois do Adeus …».

E Depois do Adeus

1.
Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci
Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.

2.
Em silêncio, amor
Em tristeza e fim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim
Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder3.
Tu vieste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci
4.
E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós
Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor que aprendi
De novo vieste em flor
Te desfolhei…5.
E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós.

 

 

Foto de Alfredo cunha na “olhares”

Abril 25, 2008

…de abril

Grândola, Vila Morena

1.
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade2.
Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena3.
Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade


4.
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena

5.
À sombra d’uma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade

6.
Grândola a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade

Abril 25, 2008

de MFA

 

Comunicado do MFA do dia 25 de Abril de 1974 às 04:20h

Aqui Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas.
As Forças Armadas Portuguesas apelam para todos os habitantes da cidade de Lisboa no sentido de recolherem a suas casas, nas quais se devem conservar com a máxima calma. Esperamos sinceramente que a gravidade da hora que vivemos não seja tristemente assinalada por qualquer acidente pessoal para o que apelamos para o bom senso dos comandos das forças militarizadas no sentido de serem evitados quaisquer confrontos com as Forças Armadas. Tal confronto, além de desnecessário, só poderá conduzir a sérios prejuízos individuais que enlutariam e criariam divisões entre os portugueses, o que há que evitar a todo o custo.
Não obstante a expressa preocupação de não fazer correr a mínima gota de sangue de qualquer português, apelamos para o espírito cívico e profissional da classe médica, esperando a sua acorrência aos hospitais, a fim de prestar a sua eventual colaboração que se deseja, sinceramente, desnecessária.

 

Comunicado do MFA do dia 25 de Abril de 1974 às 14:30h

Aqui Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas.
Pretendendo continuar a informar o País sobre o desenrolar dos acontecimentos históricos que se estão processando, o Movimento das Forças Armadas comunica que as operações iniciadas na madrugada de hoje se desenrolam de acordo com as previsões, encontrando-se dominados vários objectivos importantes de entre os quais de citam os seguintes:
- Comando da Legião Portuguesa
- Emissora nacional
- Rádio Clube Português
- Radiotelevisão Portuguesa
- Rádio Marconi
- Banco de Portugal
- Quartel-General da Região Militar de Lisboa
- Quartel-General da Região Militar do Porto
- Instalações do Quartel-Mestre-General
- Ministério do Exército, donde o respectivo Ministro se pôs em fuga
- Aeroporto da Portela
- Aeródromo Base n.º 1
- Manutenção Militar
- Forte de Peniche

S. Ex.ª o Almirante Américo Tomás, S. Ex.ª o Prof. Marcelo Caetano e os membros do Governo encontram-se cercados por forças do Movimento no quartel da Guarda Nacional Republicana, no Carmo, e no Regimento de Lanceiros 2 tendo já sido apresentado um ultimato para a sua rendição.
O Movimento domina a situação em todo o País e recomenda, uma vez mais, a toda a população que se mantenha calma. Renova-se, também, a indicação já difundida para encerramento imediato dos estabelecimentos comerciais, por forma a não ser forçoso decretar o recolher obrigatório.
Viva Portugal!

 

e mais aqui

Abril 23, 2008

de quando não se tem tempo para escrever…

 

mostra-se a falta de dentes da menina da casa…

Abril 21, 2008

de como se escreve um post quando não se tem assunto

assim sem querer olhei para o lado e vi no side bar do wordpress que o the great craft disaster estava entre os blogues de maior expansão no wordpress.

eu, que apesar de ser uma moça simples, tenho em mim por vezes algo de anal, e portanto, juro, seja ceguinha que até fiquei contente.

Fico levemente preocupada com os outros blogues, porque se o meu está em expansão, isto deve andar muito mau por aí…

já vos disse que assim sem querer olhei para o lado e vi no side bar do wordpress que o the great craft disaster estava entre os blogues de maior expansão no wordpress?

ai já? pensei que ainda não tinha dito que hoje assim sem querer olhei para o lado e vi no side bar do wordpress que o the great craft disaster estava entre os blogues de maior expansão no wordpress.

porque se eu soubesse que já vos tinha dito que hoje assim sem querer olhei para o lado e vi no side bar do wordpress que o the great craft disaster estava entre os blogues de maior expansão no wordpress, não estaria a repetir que assim sem querer olhei para o lado e vi no side bar do wordpress que o the great craft disaster estava entre os blogues de maior expansão no wordpress.

porque eu não sou pessoa para isso…

 

Abril 17, 2008

da educação

a minha menina, o meu anjo, a minha coisinha delicada, a minha querida, o meu amor, a minha princesa, ontem disse cu.

sim, disse “pôr uma almofada no cu”.

e eu, venho por este meio agradecer aos amigos da minha menina, aos coleguinhas da minha coisinha delicada, ao infantário do meu amor, à academia de dança da minha princesa, aos adultos que rodeiam este meu anjo, por um deles lhe ter dado essa fantástica possibilidade de descobrir a riqueza da língua portuguesa.

gostaria ainda de sugerir que para a próxima lhe ensinem um “porra” como interjeição e quem sabe numa fase mais avançada – para que ela por certo terá capacidade – entrem no domínio dos Ms, Fs e Cs.

força! ajudem-me nesta tarefa. façam-me sentir orgulhosa da  minha menina, do meu anjo, da minha coisinha delicada, da minha querida, do meu amor, da minha princesa, que ontem disse cu.

Abril 16, 2008

de retalhos

 

ainda enrugada, ainda por terminar.

pega-se na caixa dos retalhos e, sem olhar, vão-se cosendo uns aos outros, seguindo-lhes a forma. cada um deles um resto de qualquer coisa. as côres contrastam, as formas não encaixam, mas vai-se cosendo. sem olhar muito. sem tentar combiná-los, sem os alterar.

pega-se numa ponta que dê para ligar a outra ponta. passa-se por cima ou passa-se por baixo

assim um pouco como a vida…

Abril 14, 2008

da Soulemama

 

depois de vários meses à espera… chegou!

parece-me, e apenas após um breve folhear, que tem poucas imagens, o que é uma pena porque gosto imenso das fotos dela.

esta noite a leitura. e depois se verá!

mas parabéns à Soulemama!

Abril 10, 2008

da elsita…

 

ás vezes cruzamo-nos com pessoas simplesmente extraordinárias na sua visão do mundo e na forma como o transportam para o trabalho que fazem.

a elsa  ilustra, faz bonecos, escultura em papel, trabalha porcelana, pinta… mas não se limita a fazê-lo. fá-lo muito muito bem.

e por uma qualquer razão estranha que vai muito para alem da nacionalidade partilhada (cubana), os desenhos da elsa lembram-me a Terra Fortuna Munda da Zoé Valdés, a mulher das “seis mamas e dos seis dedos em cada mão e cada pé, (que) destilava do umbigo um liquido com cheiro e sabor a doce de goiaba”

há gente que nasce assim, com magia nos dedos.

outros que se contentam em ver a magia a acontecer!

Abril 10, 2008

das quiltisses

 

lentamente volto ás manualidades e ás capulanas da Pépé recheadas com o batting da Rosa.

o que eu gosto no quilting e no patchwork não são os elaborados recortes as combinações extraordinárias das formas e das cores, as composições fenomenais que se transformam em obras primas.

desde miuda que gosto dos retalhos costurados. se virmos a maioria das ilustrações de contos do “meu tempo”, invariavelmente as camas dos meninos são cobertas com colchinhas aos retalhos. este é o quilting que eu gosto; aquele mais infantil, mais básico.

mas acima de tudo o que eu gosto no quilting é a forma como se costuram afectos. e ao passear-se na internet vamo-nos deparando com obras extraordinárias de celebração do sentimento.

umas mais simples e alegres que celebram a vida que chega, outras mais tristes que se transformam em actos terapêuticos de lidar com a dor (confort ou passage quilt).

a ideia não me entusiasma, mas enternece-me.

não me entusiasma porque me assusta…

e depois de dois dias activos em modo quilteira, novamente a paragem! dentro de casa a mesa é pequena. Lá fora chove…

Mas gosto deste tempo!!!

Abril 7, 2008

a fazer…

 

o impacto positivo dos programas de micro-credito, especialmente envolvendo mulheres, foi reconhecido há imenso tempo pelas ONG(I) e confirmado através da atribuição do prémio Nobel da Paz a Muhammad Yunus. A paz hoje em dia, já não é definida pela ausência de guerra, mas pela presença de justiça social.

A justiça social nasce quando o cidadão tem acesso a processos que lhe permitam viver a sua vida com dignidade; o acesso à educação, à informação, à saude, a um ambiente despoluido, à definição livre da sua orientação sexual, à pratica religiosa…

Mas acima de tudo, a justiça social nasce quando é permitido ao cidadão sustentar e sustentar-se, e a dignidade que daí advém promove a necessidade de tudo o resto.

O micro-credito tem permitido a muitas familias criarem o seu próprio sustento. Uma familia com um rendimento base fixo, manda os seus filhos à escola e inicia um processo de efeito de bola de neve com resultados surpreendentes.

As melhores beneficiárias do micro-credito são as mulheres. Mais de 90% das clientes do Banco de Yunus no Bangladesh são mulheres. As mulheres assumem com mais facilidade e consciencia os principios do micro-credito. Como há muito muito tempo a UNICEF descobriu, educando um homem educa-se um individuo – educando uma mulher educa-se uma familia.

A sustentabilidade é uma das maiores lutas de quem trabalha em Desenvolvimento. Principalmente Desenvolvimento Comunitário. A ajuda cria dependência e quando quem ajuda se retira as comunidades voltam ao ponto de partida sem capacidade para dar continuidade ao iniciado.

A permissa do provérbio Chinês de não dar peixe mas ensinar a pescar continua válida, mas o micro-credito introduziu-lhe uma nova variante; criam-se condições para que a pessoa compre a sua própria cana e defina quanto peixe vai pescar – e com um apoio extra – em que mercado o vai vender.

Através da Joana (obrigada!) descobri a Kiva.

A KIVA, é uma organização que permite ao cidadão comum participar e incentivar este processo de desenvolvimento com o seu próprio dinheiro, recebendo-o de volta ao fim de 6 a 12 meses, podendo depois optar por re-emprestá-lo ou retirá-lo.

O site possui uma listagem de projectos e pessoas e é-nos permitido seleccionar aquele que vamos apoiar e a quantia que queremos dispender.

E assim, com um click e meia duzia de euros, mudam-se vidas… :-)

Abril 7, 2008

do sistema nacional de saúde

saibam que o sr que estava até há pouco sentado aqui ao meu lado, este que entrou agora, tem uma doença na garganta de que há só 500 casos em Portugal. O genro da senhora aqui à minha frente teve um acidente com um tractor que se virou e falta-lhe um bocado do crâneo, já foi operado 5 vezes e está pelo seguro, não trabalha, mas precisa de papéis da dra e o patrão dele é bom e ele não queria ir a tribunal mas depois do acidente ficou tontinho e parece que vai ser assim toda a vida. a filha aguenta-se, coitadinha, mas como ele ainda está bom por baixo ela tem medo que ele um dia se lembre e que ela engravide e depois isso é que era uma tristeza e uma desgraça para todos porque olhem que era como se ela ficasse com duas crianças para criar mais o outro que ja lá tem que foi agora para o ciclo mas só pensa em futebol.

perguntam-me: a menina está há muito tempo á espera? que numero é, o 7? é depois de mim. já dejuou? olhe que ali no café novo que abriu eles têm café e bolo por 85 cêntimos.

diz a do meu lado esquerdo que foi lá ontem mas não bebeu o café bebeu um galão de cevada. galão de cevada é assim tipo leite com mokambo. o bolito era bom. saibam que eles já fazem estas promoções porque sabem que quem vem aqui já se sabe, perde-se o dia. ainda na semana passada a senhora da minha direita esteve cá das 8 ás 4 da tarde. porque estes que vêm das urgências – que já não há urgências, diz-se-que – têm prioridade sobre a gente.

perguntam-me: a menina não trouxe os seus remédios? mostra-me o saquinho dela. digo que não e mostro-lhe a palma da mão, telefonei para casa e escrevi aqui. é melhor trazer o seu saquinho, recomendam-me. os da farmácia são os melhores porque a gente não os confunde com outra coisa. no outro dia vinha a sair de casa com o da renda na mão e ainda de xanatas calçadas. esta minha cabeça. é dos remédios. esqueço-me de tudo. mas a renda até vai encaminhada foi uma amostra que me deu a vizinha da minha comadre e estou a fazer uma camilhazinha para uma mesita redonda que a minha neta tem no quarto. e rende. a renda. a renda rende.

 

Abril 6, 2008

dos tempos

Quando era miúda a minha escola estava ladeada de um campo imenso que se cobria de florzinhas amarelas e papoilas mal a Primavera rompia. E de quando em quando passávamos a hora do recreio a colhê-las e oferecê-las à professora angustiadas ao vê-las a murchar a cada segundo depois do corte.

 Hoje é uma pequena urbanização com repuxo no meio e uma homenagem a Sá Carneiro.

Quando era miúda a minha escola estava ladeada de um descampado onde uma vez por ano o circo acampava, e passávamos a hora do recreio entre as jaulas dos animais, e espreitávamos a grande tenda que tinha um odor abafado de erva pisada.

Hoje há uma série de prédios, uma esteticista, dois cafés, um minimercado, uma ourivesaria, uma papelaria e uma daquelas creches em apartamento.

quando era miúda atravessava-se a estrada que passava atrás da escola e havia um charco onde cresciam peixes cabeçudos. e de quando em quando a hora do recreio era passada a tentar apanhá-los e fechá-los num frasco e levá-los para a sala de aula - a versão provinciana do peixinho dourado numa turma onde 40% dos meninos calçavam sandálias com meias em pleno Inverno, resgatadas durante a fuga das ex-colónias.

Hoje há um quartel de bombeiros, uma estação de serviço, várias cabeleireiras, ópticas e dezenas de edifícios de apartamentos.

Gosto do progresso. Gosto de ver as comunidades a evoluírem e a adquirirem condições e equipamentos técnicos e sociais. Mas gostava que fosse assim em todo o lado menos aqui.

Que os meninos fossem a pé para a escola e saltassem a vedação para apanhar flores à professora, caçassem peixes-cabeçudos a sonhar com as cores dos tropicais, e espreitassem leões do circo que chega à vila e causa rodopio. Que a escola ficasse ali no meio do verde, a servir leite quente em canecas sebentas de plástico e sandes de afiambrado no intervalo da manhã, que as quartas fossem dia de piscina, que em Março se fosse à serra plantar árvores e dizer poemas, que o 25 de Abril fosse passado no mercado a pintar a liberdade e que todos fossem vizinhos.

Queria-a assim. Sempre assim…

Abril 1, 2008

à esquerda…

a minha menina hoje descobriu o “pá”.
e achou-lhe piada, pá. juro, pá.
a menina descobriu o pá e resolveu utilizá-lo em toda a sua multitude antes de ir dormir.
juro, pá, que parecia, pá, que fui deitar o Otelo, pá.

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 30 outros seguidores