a casa esta’ pronta…

e a casa de banho tambem

dumpling soup
$4
west something burger
in front of ANZ
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dos muitos sons que associo a Timor, este sera estranhamente aquele que me transportara imediatamente para ca.
nao ha restaurante, festarola, taxi, mikrolete, barzinho da moda que nos ultimos 6 anos nao tenha a Brenda Fassie a gritar Vulindlela.
Vul’indlela wemamgobhozi
He unyana wam
Helele uyashada namhlanje
Vul’indlela wela ma ngiyabuza
Msuba nomona
Unyana wami uthathile
Bengingazi ngiyombon’umakoti
Unyana wam eh ujongile this time
Makgadi fele usenzo s’cede
Uzemshadweni ngiyashadisa namhlanje
Bebesithi unyana wam lisoka
Bebesithi angeke ashade vul’indlela
Chorus x 2 :
Vul’indlela we mamgobhozi
Vul’indlela yekela umona
Kodwa wena maNgobese
Hey unomona
Ngoba awunanyana
Unentombizodwa
Ayoyoyo mangobese
Hee unomona ngoba hee awunaye unyana onjengowami
Bengingazi ngiyombon’umakoti
Unyana wam eh ujongile this time
Makgadi fele usenzo s’cede
Uzemshadweni ngiyashadisa namhlanje
Bebesithi unyana wam lisoka
Bebesithi angeke ashade vul’indlela
6 anos depois continuamos todos sem saber o que a senhora diz…
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O Hermenegildo acorda de barriga para o ar. Que grande soneca!
No porto já começa a escurecer. O ferry partiu novamente levando outras pessoas, outras crianças, outras galinhas e outros cavalos. Os grandes navios ainda se vêem lá ao longe, e os automóveis estão agora muito alinhados à espera dos novos donos que os virão buscar. Os sacos de arroz sobem a montanha dentro de camiões e os funcionários do porto acendem os cigarros e caminham para a rua em direcção a casa.
O Porto fica silencioso e só se ouvem as ondas pequeninas a bater nas pedras. E então o Hermenegildo estica-se, estica-se a espreguiçar-se; cauda no ar, patinhas da frente dobradas e abre muito, muito a boca a bocejar.
- Meraaaaaaaaaaau! – que deve querer dizer “estou pronto para a aventura”, porque ele levantou-se com passos muito decididos a bater com força com as patas no chão, deixando as marcas em triângulo desenhadas no pó, muito direitas a apontar para a frente.
Apenas para a frente.
E chegou à outra ponta do porto, onde acaba o alcatrão e começa o mar.
E sentou-se.
Mexeu o narizinho e sentiu o cheiro forte do mar. Inspirou outra vez e mexeu as orelhas quando sentiu a brisa fresca a passar. O céu estava já coberto de estrelas e ele levantou a cabeça e olhou para elas. O mesmo movimento que fez quando olhou para a minha janela. A janela que fica entreaberta para ele poder entrar.
E pensou nisso e sentiu saudade.
Um peixinho saltou na água e ele lembrou-se do prato em tons de azul com formato de peixe no chão junto ao armário onde todos os dias ele encontra comida.
E pensou nisso e sentiu saudade.
E sentiu uma coisa por dentro, assim uma coisa desagradável, uma coisa que começou pequenina, pequenina e cresceu, cresceu até lhe chegar aos olhos e ao coração e se transformar em lágrimas. Essa coisa chama-se tristeza. A tristeza é uma coisa que aparece sem ser convidada e esconde-se dentro de nós. Depois quando quer sair transforma-se em lágrimas e rola pela cara abaixo. Rola, rola até chegar ao queixo. E se estivermos a escrever a tristeza pode cair em gotas em cima dos nossos desenhos e se a provarmos descobrimos que é salgada.
E ás vezes quando sentimos saudade sentimos tristeza. Mas a saudade do Hermenegildo não tinha tristeza.
Era uma saudade feliz.
Porque o prato em tons de azul com forma de peixe estará sempre no mesmo sítio ao lado do armário à espera dele.
Porque a janela do meu quarto estará sempre entreaberta à espera dele.
Porque o gato cinzento e o gato das manchas e o gato laranja com a pata branca e o outro gato irritante que mia de maneira esquisita estarão todas as noites no mesmo telhado e todas as tardes no mesmo muro e todas as manhãs nas casas dos donos deles. Porque há coisas no nosso mundo que nunca mudam e serão sempre sempre iguais.
Assim como a Margarida e a Ana rosa e a Carolina estarão sempre aí; no ballet, no piano, no recreio da escola. E se ficares podes vê-las todos os dias, mas nunca verás este porto onde chegam navios com automóveis na barriga, nunca verás o ferry que transporta pessoas, crianças, galinhas e cavalos, nunca sentirás este cheiro do mar no nariz, nem a baleia atrasada nem o céu laranja. E até os gatos percebem que o mundo é uma coisa grande. Grande, grande com línguas diferentes que é bom aprender, com meninas diferentes com quem é bom brincar.
E por isso o Hermenegildo fez:
-Miaudau! – que nós já sabemos que quer dizer “Nada me assusta”, e levantou novamente a cabeça para o ceú e agitou o nariz e sacudiu as orelhas e descobriu ao longe um barquinho de pesca parado na areia. E correu nessa direccão com passos muito decididos a bater com força com as patas no chão, deixando as marcas em triângulo desenhadas na areia, muito direitas a apontar para a frente.
Apenas para a frente.
Saltou para o barco e escondeu-se debaixo das redes de pesca.
- Miaudau! – “Nada me assusta”!
E a aventura está prestes a começar!
Miaudau, nada me assusta!
E agora diz tu baixinho:
- Miaudau, nada me assusta!
E agora devagar:
- Mi-au-dau, na-da me a-ssus-ta!
E agora a sussurrar:
- Miaudau nada me assusta!
Boa noite, minha Gui!
Miaudau, que nada te assuste.
Miaudau…
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Cansado da sala, dos quartos, do jardim e da pequena praia, cansado de viver num mundo tão pequeno, o Hermenegildo acorda determinado a mudar de vida.
Corre para a cozinha, toma o pequeno almoço na sua taça em forma de peixe em tons de azul e encaminha-se para o portão.
Olha para a direita e vê os meninos a brincar na rua. Olha para a esquerda e vê a estrada grande. Olha para trás e vê a casa com a varanda onde todos se sentam a beber café e contemplar o mar, e a porta da cozinha onde junto ao armário se encontra a taça em forma de peixe em tons de azul. Levanta mais a cabeça e olha para o meu quarto lá no cimo, com a janela entreaberta para que ele possa levantá-la com a pata e entrar durante a noite. E o Hermenegildo respira fundo e diz:
- Miau! – assim, apenas um simples “Miau” maldisposto que em língua de gato deve querer dizer “Adeus”, porque ele partiu estrada fora muito senhor dos seus bigodes, a bater com força com as patas no chão, deixando as marcas em triângulo desenhadas no pó, muito direitas a apontar para a frente. Apenas para a frente.
E desapareceu.
Caminhou durante duas horas ao longo do mar. Ao lado passam carros em alta velocidade, taxis amarelos, bicicletas verdes, motorizadas com muitas cores. E todos apitam, fazem pó e fumo, gritam uns com os outros.
- Miaudau! – Fez ele, que deve querer dizer “Nada me vai assustar”, porque ele continuou de passo certo deixando as mesmas marcas em triângulo desenhadas no pó, muito direitas a apontar para a frente. Apenas para a frente.
E caminhou mais uma hora. Passou em frente ao farol e sentou-se a descansar. Olhou para o mar e viu um atum a saltar e pensou:
- Miauuurau! – que deve querer dizer “Tenho fome” porque ouviu-se a barriga a reclamar. Mas como é um gato valente levanta-se e continua a viagem. E caminhou, caminhou, caminhou até que chegou ao porto.
E escondeu-se.
No porto há uma grande agitação; barcos carregados de sacos de arroz chegam. Pequenas filas de gente levam os sacos até um grande camião. Navios enormes abrem as portas e de dentro saem automóveis. O Ferry despeja pessoas e sacos e crianças e galinhas e cabras e dois cavalos que viajaram da ilha até aqui. E entre eles estão homens de Ataúro carregados com esculturas de madeira negras para vender aos Malae em Dili.
E o Hermenegildo esconde-se. Esconde-se bem escondido debaixo das folhas de uma bananeira baixinha. (As bananeiras não são árvores. As bananeiras são ervas gigantes, mas pouca gente sabe disso.)
- Miauraurau! – disse ele, que deve querer dizer “vou esperar”, porque ele deixou-se ficar ali muito quieto, mesmo muito quieto, tão quieto, tão quieto, que acabou por adormecer…
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sushi + salada + cha verde
$20,50 arrrrrrre!
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bento box 1 (o habitual…)
$8.50 at Geon
gratuito se disserem aos colegas que esqueceram o dinheiro no cofre do escritorio
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